Alguma coisa de positivo

diferenteEu sei que os tempos (e os modos) não estão para coisas positivas, coisas boas, sentimentos otimistas. Muito pelo contrário.Sei que os tempos e os contextos nos oprimem, nos magoam, nos ofendem e violentam em muitas situações ou circunstâncias. Pela imagem, pelas palavras, por aquilo que se sente, ou não, os tempos não estão positivos ou ótimista.

Sei que, na escola, o hábito é dizer mal, é com o erro que se educa, que se orientam os alunos e os preceitos da normalização escolar e educativa – seja isso o que for. É pelo erro ou, melhor dito, pela correção, que se aprende e se transmitem conhecimentos.

Sei e reconheço, que muitas vezes descarregamos em quem não devemos, que não temos espírito para aguentar até mais não, que os próximos, pelos afetos,

Apenas por que somos humanos, afinal.

Sei que crítica, neste nosso país, é dizer mal, não é comentar, nem desconstruir situações ou ideias, é apenas e simplesmente dizer mal. Crítica, afinal, é isso mesmo, é criticar, é dizer mal do outro, dos outros, culpar os outros daquilo que nós não somos capazes.

Sei que é mais fácil criticar e zupar nos que nos estão próximos, na impossibilidade de chegarmos a quem queremos ou gostaríamos que fosse o nosso alvo, de dizer o dito nos olhos, dizer das boas.

Sei disso tudo, sei dos hábitos e dos costumes, daquilo que muitos consideram normal e usual. Sei que os tempos não estão para outra coisa.

Mas é ver os rostos iluminados quando dizemos bem de algo ou de alguém. É ver o olhar a cintilar quando reconhecemos competências, resultados, situações. É ver e sentir os sorrisos que se abrem quando, por coisa pouca, elogiamos uma atitude, um gesto. Ver e perceber o espanto estampado no rosto do/a nosso/a interlocutor/a quando reconhecemos e afirmamos coisas boas dele (ou dela), do qual foi o/a responsável, ou/a promotor/a.

É sentir o pulmão a encher de orgulho e satisfação, quando lhe dizemos que está bonito/a, que está mais simpático/a que o habitual, que o cabelo está diferente, que a blusa ou a roupa lhe fica bem, que lhe dá um toque assim como… nem sabemos.

Não é ser assim por que sim, por frete ou circunstâncias mais ou menos social – e mesmo que seja não ficava nada mal. É reconhecer e agradecer que cada dia vale a pena, que é aquela companhia que nos faz sorrir e alimenta a boa disposição.

É perceber como o/a outro/a gosta de ouvir um bom dia, que alguém quebre o silêncio, ultrapasse a angústia das dúvidas, a incerteza do desconhecido e simplesmente nos ajude.

É tão simpático quanto reconfortante perceber o esforço que o/a aluno/a ou o/a colega faz (ou fazem) depois do reconhecimento do seu trabalho, do pormenor que fez toda a diferença, mesmo que não seja totalmente verdade, do simples obrigado sem favor nem interesse.

É verdade que é sol de pouca dura, coisa que não nos enriquece nem engorda. Mas, por isso mesmo, é bom e é positivo. Ser positivo, saber reconhecer o valor e o mérito do outro ou do seu trabalho, ter uma palavra elogiosa, ser otimista não provoca o envelhecimento precoce, o aumento do colesterol ou da tensão. Não tem consequências, pelo menos conhecidas e/ou diretas, sobre melanomas da pele ou de herpes labial – pelo esforço de sorrir e de mostrar contentamento, simpatia, educação.

É tão fácil quanto delicado, tão difícil quanto oportuno. Precisamos de qualquer coisa positiva que nos ajude e ilumine os dias. Se for um sorriso, um obrigado, um olhar descomprometido mas simpático, seria bom. Verá que o espelho lhe agradecerá.

Manuel Dinis P. Cabeça

 

Cedido pelo blogue ComRegras   Redes Sociais  Facebook | Twitter, com autorização do autor.

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