Finlândia, genialidade ou suicídio educativo?

No ano que agora começa, entra em vigor o novo modelo educativo Finlandês. As suas escolas vão acabar com as disciplinas tipo e vão surgir as temáticas nas quais os alunos participam na sua planificação, pesquisam e avaliam esse processo.

Um grupo de alunos quis pesquisar, por exemplo, os smartphones e acabou aprendendo sobre história, literatura e física.

“Disseram que gostariam de saber sobre a história do desenvolvimento da telefonia”, disse.

“Foi um tema que serviu para estudar matemática, estatística. Serviu também para saber quais as razões que levam as pessoas a usarem os telefones. Abordou também literatura e como as mensagens de texto mudaram a forma de escrever… (…). A ideia veio deles e, por isso, gerou uma conexão imediata com o tema”, afirmou.


Nós,
meros seguidores dos “Deuses da Educação”, não podemos deixar de ficar curiosos com o seu funcionamento. A primeira coisa que nos vem à cabeça é como é que as nossas “criaturas” seriam capazes de se comportar num modelo assim? Alunos que têm tanta dificuldade em estar concentrados, a comportarem-se adequadamente ao contexto de sala de aula, a estudarem, interessarem-se e aplicarem-se, nunca na vida poderiam adaptar-se a um modelo que dá tanta liberdade. Ou será que podiam?

Existem problemas que estão claramente identificados no nosso sistema educativo: o excesso de carga letiva; os programas muito extensos; a falta de recursos; a forma de lecionar que pouco mudou nas últimas décadas; etc… É um sistema que não motiva, um sistema que segue o professor e não permite o aluno pensar por si, explorar por si. A motivação é peça chave na aprendizagem, e mesmo aqueles que são divergentes, quando confrontados com algo que os motiva, são tão bons ou melhores que os alunos mais “direcionados” para a aprendizagem tradicional. Importa questionar se não valeria a pena formatar a educação em Portugal e fazer um upgrade, com um software completamente novo.

É evidente que a cultura finlandesa permite a mutação do sistema educativo sem ter que se preocupar com alguns pilares educativos como a disciplina. Nós, além do problema que teríamos por obrigar os professores a sair da sua zona de conforto, teríamos que formatar os alunos a este novo modelo. Seria uma tarefa hercúlea, que obrigaria a um compromisso político-social a longo prazo.

A Finlândia não tem medo de pensar fora da caixa e mexer num sistema educativo que é referência a nível mundial, o que convenhamos, não deixa de ser um risco. Certamente que o risco é calculado, certamente que foram ponderados os prós e os contras de tão grande mudança, certamente que foi testada e confirmada as potencialidades deste novo sistema. No entanto se as coisas derem para o torto, estaremos perante um suicídio educativo que poucos vão compreender e que irá comprometer o futuro do país. A educação está de olhos postos na Finlândia, de bloco de notas em punho, resta desejar-lhes boa sorte e provar que o modelo tradicional tem os dias contados.

Por cá, vamos continuar na expectativa, brincando à educação, com professores e alunos a serem os peões de um jogo político-partidário. Ora amanhã reformas tu, ora amanhã reformo eu…

Ficam excertos da notícia e o link para a mesma.

“Na educação tradicional os alunos vão à sala de aula e têm aulas de matemática, depois de literatura e depois de ciências. Agora, em vez de adquirir conhecimentos isolados sobre matérias diferentes, o papel do estudante é ativo. Eles participam do planejamento, são pesquisadores e também avaliam esse processo”, disse à BBC Marjo Kyllonen, gerente de educação de Helsinque.

Kyllonen afirma que a forma tradicional de educação, dividida entre matérias diferentes, não está preparando as crianças para o futuro, “quando precisarão de uma capacidade de pensamento transdisciplinar, olhar os mesmos problemas a partir de perspectivas diferentes e usando ferramentas de diferentes”.

Mudança para os professores

As mudanças no sistema educacional da Finlândia também trazem mudanças importantes para os professores, que não terão mais o controle sobre seus cursos com o qual estavam acostumados.

Eles deverão aprender a trabalhar de forma colaborativa com seus alunos e outros docentes.

O trabalho deles não vai mais ter como base as aulas expositivas e será mais parecido com o trabalho de um mentor.

Até março de 2015, 70% dos professores de Helsinque já tinham sido treinados para aplicar este novo método.

“Não acho que os professores possam simplesmente se sentar e observar o que está acontecendo. Creio que seu papel é ainda mais importante do que no sistema tradicional, precisam ter muito cuidado na forma como aplicam este método”, disse Kyllonen.

 

Cedido por Alexandre Henriques, autor do blogue ComRegras

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