Funções (sociais) da escola

Apesar das críticas, apesar dos olhares que me lançaram por via do artigo da semana passada, não consigo deixar de retomar a temática.

Aquilo pelo qual tenho escrito e defendido há uns bons anos passa pelas funções da escola e, de forma consequente, dos professores. Esta é a linha pelo qual mobilizo argumentos e escrita para afirmar e defender uma ideia central, a escola não se resume ao ensinar e aprender. Do mesmo modo, as funções do professor não se restringem a ensinar ou a cumprir as obrigações, funções (ou simples burocracias) de diretor de turma ou de amanuense administrativo-pedagógico.

Afinal, quais são as funções da escola (e dos professores)? Nem vale a pena discutir o óbvio, que passa pelo facto de as funções da escola (e da educação de um modo geral) se terem reconfigurado com os tempos, os modos e as modas. Destaco dois elementos, dois factores que têm feito com que a escola e as suas funções se reconfigurem. São dois elementos em pólos opostos. De um lado, as medidas de política pela qual os diferentes governos têm sido responsáveis e que são, para todos os efeitos, elementos de orientação social, moral e funcional. Do outro, os contextos de cada escola, os problemas que localmente são configurados e definidos. As (re)configurações do papel, das funções e da missão de cada escola surgem, assim, por via da articulação (umas vezes negociada outras nem por isso) entre o que uns mandam (políticas nacionais) e o que o contexto permite. É certo que a acompanhar essas reconfigurações, umas vezes à distância, outras em paralelo outras ainda em divergência, estão as funções (sociais e profissionais) do docente. Umas vezes os docentes são atores de um papel definido por outros, no respeito pelas conformidades. Noutros momentos são autores e criam o seu próprio argumento e definem a sua ação. Noutros ainda, a sua ação varia entre um e outro, isto é, entre a conformidade e a (re)criação.

Nesta perspetiva, não sou defensor da exclusividade da escola aos professores. Há espaço, oportunidade e necessidade de na escola participarem e se envolverem inúmeros outros elementos, desde psicólogos, terapeutas, assistentes sociais, animadores, entre muitos outros que um contexto e as ideias de cada um possa tornar necessário. É nesta pluralidade de situações e de atores que considero que a escola vai, deve ir, muito além das suas funções formais de ensinar e aprender.

Num tempo em que o ministério da Educação tem a tutela sobre a juventude e o desporto, numa despercebida articulação entre educação formal e não formal, por que não envolver estas duas dinâmicas em processos de colaboração, partilha e articulação de formação. Será que apenas aprendemos em situações ou circunstâncias formais? Será que as férias não têm momentos de aprendizagem, de aquisições, de formação? Por exemplo, de comportamentos, de formação de públicos, de sensibilização social e estética, de voluntariado…

Não quero implicar o professor neste processo, mas implico a escola. E implico a escola numa relação estreita com o seu contexto, com aquilo que designo como as suas circunstâncias (objetivos, interesses e estratégias). Será nesta implicação e relação que cada escola define o seu papel e, de forma coerente, assim se espera, o papel dos professores.

Obviamente que a partir da configuração desta implicação, bem como das diferentes formas que pode assumir, a escola passa a ser um espaço social de aprendizagem e formação que deve ir além das suas dimensões formais e institucionais. Certamente com tempo e outras disponibilidades para se fazer e dar a conhecer aquilo que durante um ano escolar formal não há tempo ou é escasso, ou é apertado.

Afinal, não passará por aqui uma das dimensões da escola pública?

Manuel Dinis P. Cabeça

04 de julho, 2016

Artigo cedido pelo blogue ComRegras, com autorização do autor.

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