Investir na Educação

Tenho apelado, diversas vezes, à necessidade de considerar o dinheiro aplicado na Educação como um investimento e não como despesa.

O Primeiro Ministro expressou na semana passada, um pensamento que todos sabemos ser quase uma máxima: “O investimento em educação é essencial para o desenvolvimento sustentável do país.”

Esta afirmação provocou dois sentimentos quase antagónicos: por um lado desconfiança, por outro otimismo.

Desconfiança, pois foi proferida no dia que assinalava o arranque do ano letivo e, quantas vezes, são ditas da boca para fora; otimismo, já que foi dita ao perspectivar o Orçamento do Estado 2017 (OE2017), augurando algo positivo, atendendo ao que no concreto se propõe fazer.

Não pretendo escalpelizar aquilo que, julgo, deveria ser feito em termos estruturais na Educação, mas antes deixar algumas indicações aos políticos e a quem faz na verdade aquele importante documento, por forma a acorrer a situações verdadeiramente fulcrais.

As escolas estão modernas (quer as secundárias – fruto da intervenção nem sempre bem aceite da Parque Escolar, quer as do 1.º Ciclo – muito bem cuidadas pelos municípios, alguns dotados de excelentes centros escolares), exceto as antigas EB2,3 (5.º ao 9.º anos), para as quais estão previstas intervenções de conservação, o que as dotará de melhores condições físicas. Urge investir fortemente no parque computacional das escolas, muitos já avariados, ultrapassados e obsoletos, e noutros instrumentos relacionados com as novas tecnologias. As escolas têm de acompanhar a evolução da sociedade, não sendo desejável que esta a ultrapasse.

Contudo, o grande investimento deverá ser aplicado na afetação de recursos humanos.

Na verdade, há escassez de assistentes operacionais (funcionários), o rácio de psicólogos e outros técnicos (assistentes e educadores sociais, terapeutas da fala…) está longe do aconselhável, a componente letiva deve ser substituída pela não letiva aos professores com mais de 60 anos, abrindo lugares aos docentes contratados com mais de 10 anos de serviço (é justo não desperdiçar a mais-valia destes profissionais, apesar do vínculo precário que os une ao sistema…), etc..

São algumas ideias, entre muitas outras, mas que não podem ser ignoradas por quem diz ser, a Educação, uma bandeira do seu governo. Então, que a saiba içar com classe e qualidade, atribuindo o justo valor, consubstanciado em euros suficientes para suportar uma das áreas das mais importantes em qualquer sociedade moderna.

Filinto Lima – Professor/Diretor

Artigo cedido pelo blogue Com Regras, com autorização do autor.

0 Comentários

Envie uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

CONTATE-NOS

Envie-nos uma mensagem, seremos breves na resposta.

Enviando

©2017 ClickProfessor - Comunidade e Diretório Nacional de Professores

ou

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?

ou

Create Account