Quem nasceu primeiro: o insucesso ou a indisciplina?

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Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? Todos conhecemos a expressão e o seu significado. Nas questões educativas e disciplinares é frequente tratarmos das feridas e não da doença. A minha escola não é exceção e gostava muito que esta caminhasse para um modelo pedagógico, potenciador de sucesso e menos tradicional. Tenho batido nesta tecla muitas vezes, a minha realidade de lidar com alunos problemáticos em ritmo quase diário, mostram-me que o problema está nos alunos, sim, é verdade, mas principalmente em modelos pedagógicos que não se adequam ao seu perfil.

“Eles têm é que estudar e mais nada”

“No meu tempo eu não tinha nada destas mariquices e fiz a escola na mesma”

São expressões frequentes e até têm alguma razão, mas a escola tornou-se universal e obrigatória até ao 12º ano. As tipologias de alunos e cultura escolar é manifestamente diferente. A mais recente aposta em tutorias é um passo interessante mas para os alunos errados. Alunos com duas retenções e com mais de 12 anos não vão lá com tutorias em grupos de 10. As dificuldades são estruturais e implicam uma resposta metodológica diferente em sala de aula. Aos seus olhos a escola é uma seca, um local de fracasso e de obrigatoriedade indesejada. Uma escola prática, que aposte numa formação de base e que permita adquirir princípios sociais e cognitivos elementares, pode, seguramente, recuperar alunos para a sociedade.

Nos Estados Unidos surgiu um estudo que prova que o sucesso trouxe uma redução significativa de problemas disciplinares. E este debate (que já cansa) entre escola pública e escola privada com contratos de associação, deveria ser substituído por algo muito mais importante – modelos de ensino e suas metodologias.

A escola pública – agora tenho de fazer esta distinção – tem muitos problemas e o insucesso dos alunos, apesar de ter melhorado nos últimos anos continua elevado e a indisciplina também.

Costumo dizer aos alunos que só não gostam daquilo que não sabem e não compreendem, temos de mudar este paradigma, apostando na única força que é capaz de mudar este estado de coisas, a motivação… dos alunos, mas infelizmente também dos professores. E isso só se atinge, com condições laborais e afins, mas principalmente com o sucesso.

 

Artigo escrito por Alexandre Henriques, autor do blogue ComRegas.

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