Reciclemo-nos!

É de louvar o esforço que se tem feito por parte dos responsáveis pelo projeto Eco-Escolas ao longo destes últimos vinte anos. Dez passos à frente quinze atrás. Creio ser a evolução deste projeto que nos deveria envolver a todos, honrando o nosso passado e preservando o futuro dos nossos. Pena que infelizmente, na maioria das escolas, este projeto não tenha a devida atenção por parte de quem decide. O crédito horário atribuído faz-se em função do docente e não na educação e desenvolvimento dos alunos. São várias as escola que já perderam o eletrão ou o pilhão, resumindo-se o “trabalho” dos docentes a encontros regionais ou nacionais. Os depósitos e ecopontos tornaram-se meras decorações estruturais. Os alunos preferem “depositar” o lixo deles no meio que é de toda a comunidade educativa, seja nas salas de aula ou recreio, com a anuência e passividade de todos.  Mas não é de espantar, pois quando se entra em algumas salas de professores e vemos copos de plástico, deixados por colegas nossos, espalhados pelas mesas de trabalho comuns, com tingimento de café ou um qualquer néctar processado, aliado a guardanapos meticulosamente ensebados de rissóis, bolos, atum, ou massas “al dente”. Ao longe ouvimos: – os funcionários estão aqui é para limpar. Saúdo as direções que não fecham os olhos e fazem questão que prevaleça o civismo e o bem comum.

“O ano lectivo nas escolas básicas e secundárias devia estar organizado em dois semestres, em vez de em três períodos?”Este tema já foi lançado pelo ComRegras há cerca de uma semana atrás, através de um inquérito e o resultado deu maioria ao manter os três períodos. Será que reflete mesmo a realidade atual? Não creio. Como em tudo, sempre que se avista a intenção de mudança levantam-se logo os arautos da desgraça, uivando de dor, feridos face ao conforto institucionalizado durante décadas e protegidos pelas oligarquias que os defendem e mantêm. A divisão em semestres não só é salutar física como intelectualmente. Criando pausas letivas ao longo do ano, não tendo de ser iguais em todo o país, (o ajuste climatérico regional deve ser tido em conta) ajustando, reformulando e adaptando programas e áreas curriculares ganharíamos todos, alunos, professores, funcionários e toda a comunidade escolar. Acredito que os níveis de stress baixariam e o desenvolvimento pessoal, social e cultural seriam incrementados.

Este artigo é deliciosamente ridículo. O problema afinal está na remuneração, e não na precariedade laboral. Todos sabemos que muitos dos docentes universitários mais velhos conseguiu doutoramentos à custa das teses de mestrado que foram orientando ao longo da carreira, até mudarem as regras de jogo. Acredito, portanto, que os maiores preocupados com as remunerações pagas a docentes a tempo parcial sejam os que alegam ser uma “injustiça” laboral. Escusado será dizer que os docentes contratados pelas universidades e mesmo politécnicos, têm uma competência intelectual e pedagógica que pode fazer envergonhar muitos Professores Doutores com “assento vitalício”. A competência, independentemente da sua área específica, deve ser recompensada, somente assim haverá mérito e justiça laborais.

Artigo cedido pelo blogue ComRegras, com autorização do autor Emanuel Correia.

0 Comentários

Envie uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

CONTATE-NOS

Envie-nos uma mensagem, seremos breves na resposta.

Enviando

©2017 ClickProfessor - Comunidade e Diretório Nacional de Professores

ou

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?

ou

Create Account